Cerca de 75% dos animais que participam do programa conseguem ser introduzidos novamente a natureza

 

Além de ser um dos mais populares pontos turísticos da cidade e receber visitantes de toda a região, o Zoológico de Volta Redonda realiza um importante trabalho junto aos animais silvestres de vida livre. Através do projeto Reabilitação de Animais Silvestres (RAS), o tratamento e a recuperação desses bichos são realizados pelo setor de Medicina Veterinária do Zoo. O objetivo é cuidar e deixá-los aptos (fisicamente) para retornar à natureza.

 

“A população em sua maioria desconhece esse trabalho fantástico que o zoológico realiza junto a esses animais. Eles chegam de diversas formas ao local e a equipe veterinária colabora e aplica técnicas para que possam voltar à natureza. Muito se fala sobre a condição dos bichos, mas poucos sabem que Volta Redonda não compra animais. Todos que hoje estão no zoológico vieram de apreensão ou não puderam voltar a sua vida natural devido a sequelas”, explicou o prefeito Samuca Silva.

 

O departamento é responsável por aplicar técnicas para o preparo dos animais ao retorno à natureza, estando estes completamente aptos fisicamente ou que tenham sofrido alguma sequela inicialmente reversível. Os animais chegam de diversas formas e por diversos motivos ao Zoológico de Volta Redonda, embora a maior parte seja oriunda de situações de acidente em meio urbano, resgatados pela Guarda Municipal Ambiental, Corpo de Bombeiros, outras instituições e até mesmo munícipes engajados na causa.

 

O secretário de Meio Ambiente, Maurício Ruiz, destacou que existem casos com menor gravidade - que envolvem filhotes que foram deixados pelos pais em fuga, se tornados órfãos, caíram de seus ninhos ou sofreram tentativa de tráfico - e de maior gravidade.

 

“Assim, quando são enviados ao Zoo, esses animais recebem cuidados imediatos, com avaliação e atendimento da forma mais adequada para cada caso. Os casos mais comuns são os atropelamentos e agressões sofridas por pessoas, além de outros danos causados pelo impacto contra superfícies transparentes, eletrocussão nas redes elétricas e lacerações por enroscamento em fios (sendo lixo deixado exposto ou armadilhas mal intencionadas), e até os acidentes com linha de pipa e cerol, considerados mais graves”, explicou.

 

Esses animas não ficam expostos ao público, uma vez que é esperado que eles não se acostumem com a presença humana, o que seria um problema para sua reintrodução em ambiente natural. Dentro do programa os animais recebem alimentação de acordo com o que é disposto em seu ambiente natural, para que não tenham dificuldades em encontrar sua própria comida quando de volta. Além disso, é realizado um trabalho fundamental junto ao condicionamento físico, através de exercícios da musculatura e articulações.

 

“O processo de reabilitação varia de espécie para espécie e conforme as necessidades particulares de cada animal. Além dos itens alimentares selecionados, estes também são dispostos de forma mais natural, como frutas inteiras, quando possível ainda em seus ramos, presas vivas para os animais predadores, alimento “escondido” para apurar o faro, entre outros. Após este período de readaptação, é iniciado o estudo acerca do destino desses indivíduos, onde é de fundamental importância que o espaço pretendido tenha oferta suficiente de alimento, que a espécie já seja de ocorrência no local, que a área tenha o mínimo de proteção, entre outras necessidades”, explicou Almir Folly, responsável pela Biologia do Zoo.

 

Segundo dados do Zoológico Municipal, cerca de 75% dos animais que chegam ao local conseguem ser devolvidos a natureza. Os animais que sofreram sequelas graves (cegueira, aves com amputação de asa, papagaios que pedem café, etc.) recebem outro tipo de atendimento. Além disso existem as sequelas psicológicas onde indivíduos criam dependência de humanos e estão fadados a permanecer cativos.

 

“Para estes animais com condições mais graves é realizado um trabalho de adaptação à nova casa, onde a alimentação passa a ser adequada à rotina do Zoo, estimulando a aceitação para com os seres humanos. É importante salientar que estes novos cativos não necessariamente serão hóspedes exclusivamente do Zoo-VR, podendo ser destinados a outros zoológicos, santuários e demais instituições que trabalham pela conservação e bem estar animal”, contou Jadiel Teixeira, administrador do Zoológico Municipal.

 

Secom/VR –Fotos de arquivo